sábado, 6 de agosto de 2011

MINEIRINHO


Muito distante o lugar que nasci,
Puro brejo naquele cafundó,
Na virgem mata inda tinha saci,
Povinho sofrido que dava dó.

Na pobre choupana por anos morei,
Com feijão e jiló matuto fiquei,
Cedo já ia na taia da estrada,
Capinar roça, mãos na enxada.

Desde cedinho até ao anoitecer,
Sonhava poder gozar até o amanhecer,
Pensava e ficava excitado,
Mesmo ralando igual um danado.

Como não tinha a senhora Luzia,
Sentava na pedra e ali sacudia,
Sacudia... Num sol que na pedra batia.
E eu pobre infeliz ali, como batia!
Pensava na Ana, na Bia e na Sofia,
Na Dóra, na Rosa e na Mariana,
Mas batia com força pra Daiana

Hoje me recordo num breve sorriso
Vivia no inferno que era o meu paraíso
Traçava a cabra, o bode e o cachorro
A égua, a mula e tentei no jumento,
Até que o coice virou ferimento

Noviço que fui só levei  tormento
Tracei até freiras atrás do convento
Sempre brincando com trovas e rimas
Passava o ferro até nas minhas primas

Colhi as desgraças todas que plantei
Elas todas choraram quando adeus dei
Na cidade grande, homem me fiz
Mas nunca me esqueço que já fui feliz

(Eber da Fonseca)

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