sexta-feira, 25 de novembro de 2011

AQUELE BEIJO



Aquele beijo
Que de ti arranquei,
Num breve lampejo,
Para sempre guardei.

Foi um beijo de amor?
Ou será de paixão?
Foi difícil e com suor,
Que te dei de coração.

Sua doce frescura,
Que a mim laçou,
Me pegou com ternura
E não mais soltou.

Seus cabelos de lua,
Seu hálito de hortelã,
Uma beleza só tua,
Doce fruta romã.

Minhas tardes vazias
Vivem a recordar,
Tuas mãos macias,
Teu castanho olhar.

A bela brancura
Que chamei de Capitú,
Tem aroma de açucena
E o beijo de caju.

Do beijo no susto,
Fico agora a lembrar, 
No momento injusto,
O teu lábio tocar.

Quero ter outra chance
De seus lábios beijar,
E minha boca ao alcance,
Do seu mel provar.

Quero ser consumido,
E sozinho a rezar,
Noutro beijo escondido,
Vivo só a pensar. 


"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

CASTELO E CORAÇÃO

Sol num castelo,
É como amor no coração,
No castelo reflete amarelo,
No coração, reluz ilusão.
Faz fumegar muralhas
E aquecer o peito na vil paixão,
É sombra aos que vão às batalhas,
E entorpecem o negro coração.

Como soldados por entre os muros,
Beijando as moças com gratidão,
Que febris de amores puros
Matam por juras um batalhão.
Meu castelo é o coração,
E o sol é o meu amor,
E se sofro tal invasão,
Sou soldado ferido, vil sonhador.
As cinzas anunciam a ruína,
E sem calor me torno frio,
E num vale de densa neblina,
Jaz meu castelo sombrio.


"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

FELIZ ANIVERSÁRIO


Fiz um poema para você,
Com letras em versos livres,
Rimas pobres e ricas,
Que arranquei do coração
Meio tosco mesmo
E sem escansão.

Que não seja de dor,
Mas um simples poema de amor.
Desse amor que você me dá,
Amor terno, fraterno,
Amor de irmão e irmã,
Amor de amiga,
Sem juízo,
Desses por ai, sem compromisso.
Amor de Adão e Eva
Feito no paraíso.
Amor que não se vá com o tempo,
Que só traz ingratidão.
Amor de namorado emburrado,
Andando na frente,
Em ciúmes, descontente,
Puxando-te pelas mãos.

Que os dias de hoje em diante,
Passem bem lentamente,
E que esteja por perto, 
Sendo sempre presente.
Que a cada ano, neste dia especial,
Seja este o seu dia de Natal,
Ter folga no serviço
E ser feriado nacional.

Que eu nunca me esqueça e minta, 
Pois te escrevo em fresca tinta,
Em meu velho diário.

Feliz Aniversário!

"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

terça-feira, 16 de agosto de 2011

NOTÍCIAS MORTAS

No ápice da madrugada,
Um sono atormentado,
Entre as vozes do nada,
Gemidos de sofrimento.
Pantominas e medo,
Mórbidos toques do além.
Em gélido hálito,
Um estremecer de arrepios,
Em vozes de acusações infernais,
De pecados e torpes delitos.
Nesse encontro de demônios,
Que não se perdoam.
Proezas fantasmagóricas do diabo, 
Lembranças de morte, pecados mortais.
Capas estampadas em jornais,
Notícias que não rimam, funestas,
Todas hipócritas e mortas,
Na paz dessa casa, ou dos infernos.


"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte". 

sábado, 6 de agosto de 2011

MINEIRINHO


Muito distante o lugar que nasci,
Puro brejo naquele cafundó,
Na virgem mata inda tinha saci,
Povinho sofrido que dava dó.

Na pobre choupana por anos morei,
Com feijão e jiló matuto fiquei,
Cedo já ia na taia da estrada,
Capinar roça, mãos na enxada.

Desde cedinho até ao anoitecer,
Sonhava poder gozar até o amanhecer,
Pensava e ficava excitado,
Mesmo ralando igual um danado.

Como não tinha a senhora Luzia,
Sentava na pedra e ali sacudia,
Sacudia... Num sol que na pedra batia.
E eu pobre infeliz ali, como batia!
Pensava na Ana, na Bia e na Sofia,
Na Dóra, na Rosa e na Mariana,
Mas batia com força pra Daiana

Hoje me recordo num breve sorriso
Vivia no inferno que era o meu paraíso
Traçava a cabra, o bode e o cachorro
A égua, a mula e tentei no jumento,
Até que o coice virou ferimento

Noviço que fui só levei  tormento
Tracei até freiras atrás do convento
Sempre brincando com trovas e rimas
Passava o ferro até nas minhas primas

Colhi as desgraças todas que plantei
Elas todas choraram quando adeus dei
Na cidade grande, homem me fiz
Mas nunca me esqueço que já fui feliz

(Eber da Fonseca)