sexta-feira, 26 de outubro de 2012

SONETO II


Vivo por hora suspirando as flores
Perdido e vagando em teu olhar singelo,
E flutuando entre as nuvens de vapores,
Morro de amores neste meu flagelo.

É o anseio pelas tardes, seus beijos,
Por seus afagos, e que me abrace,
E me pergunte! O que do amor faremos?
Entre olhares ternos, face a face.

O amor é às vezes um mal no peito,
É doença febril, latejante em prazer,
É a dor do luto a quem faz por eleito.

Mas é essa, a eterna razão de viver,
É a gostosura de uma nova paixão.
Um regar a espera do florescer.


"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

SONETO I

Quero beijar sua boca macia,
E de amores sem fim, teu mel provar.
Quero o louvor, o som da sinfonia,
E ao som das liras profanas, te amar.

Quero esse ser no cio, a flor da pele,
E me perder dentro desse seu olhar,
Ser tua sombra nas tardes do vale,
A mão em teu cabelo a afagar.

Basta-me teu amor nessa vil lida,
Basta que me queiras em teu leito,
Basta-me teus braços ser guarida.

E ainda que morra o amor no peito,
Me lembrarei pelo resto da vida.
Quiçá fosse eterno, foi perfeito!


"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

AMOR DE ENGANAÇÃO


Todos me avisaram
Que eras ilusão,
Foste dessas que chegam,
Trazendo servidão.

Veio devagarzinho,
Pé por pé a saltitar,
Foi entrando e fez ninho,
Meu mundinho fez mudar.

Com setas pelo olhar,
Sambou meu coração,
Sou marujo no mar,
Nessa nau solidão.

Já ouvi das más línguas,
Que mil bocas beijou,
Mas fingi, são intrigas.
Esse povo pirou!

Já não posso viver,
Longe dessa emoção,
Sem ti vou jazer,
Morrendo do coração.

Da boca macia
Me pego a lembrar,
Da louca mania,
Em te beijar.

A voz baixa e serena,
Descia-me ao coração,
E decorava de açucena,
E muitas folhas pelo chão.

Teus olhos ardentes,
Nos meus sem piscar,
Foram chamas frequentes,
Nesse meu delirar.

Teu perfume suave,
Do jasmim ao licor,
De suspiros me move,
E rolam gotas de amor.

Num abraço gostoso,
Fui teu peito encontrar,
Fui gato manhoso,
Em seu meigo ninar.

Tornei-me refém,
Desse amor com carinho,
Das noites no teu harém,
Me embriagando no teu vinho.

Sonhei gozar da felicidade.
Ter asas, flutuar pelo céu.
Desnudar tua intimidade,
Arrancar teu alvo véu.

No auge das poesias
Senti o sabor do fel,
Foram-se minhas fantasias,
E se acabou o doce mel.

Pularam da cara os olhos,
Descobri as rugas da mocidade,
O pior dentre os restolhos,
Ao constatar tua infidelidade.

 Não sei se agora vivo,
Não sei se agora morro,
Se me torno morto-vivo,
Ou se clamo por socorro.

Vou viver nesse engano,
Até a morte chegar,
Nesse amor insano,
Nesse inferno que é o amar.


"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

terça-feira, 11 de setembro de 2012

EM SETEMBRO

Quero em setembro, 
O colorido do arco íris,
O germinar do verde  maciço, 
A se espalhar pelos campos afora,
O mormaço das tardes quentes,
Num Barreiro vistoso e florido.
Os brotos nas matas fervilhando,
Crescendo regadas de amor.
Os boêmios pelas noites afora,
Todos bêbados, pelas ruas, perambulando.

Quero em setembro,
Ter asas e voar,
Contemplar as serras e montanhas, 
E do Curral ao Rola Moça, 
Voar pelos Jatobás.
Viver a harmonia da vida,
Que em setembro se põe a aflorar,
Ser em gestos, mineiro contente,
Ter a paz deste meu BH.


"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".



 









sexta-feira, 9 de março de 2012

CORAÇÃO BANDIDO

Seu coração bandido,
Foi minha doce ilusão,
Que me deixou rendido,
Nessas noites de verão.


No frio da madrugada,
Sinto o amargo na boca,
A espera da alvorada,
Dessa paixão tão louca.


Fito meus olhos no tempo,
Em silencio a navegar,
Como meu passatempo,
Dos nossos momentos lembrar.


Seu sorriso sereno,
Sua pele branquejada,
É o teu maior veneno,
É a dor da morte a espada.


A saudade é um vício,
É a lagrima chateada,
Do animal em pleno cio,
Dessa lida enjaulada.


Teu meigo olhar castanho,
Seu perfume de alecrim,
Quero viver esse sonho
De ter você para mim.


Nesse amor um temporal,
Me devastou a solidão,
Foi o granizo vendaval
Que arrasou meu coração.


Tenho dores e febres mil,
Que o peito faz dilatar,
Morrerei antes desse abril
Sem teu peito pra me amar.

Na ânsia da morte lenta,
Em tua mão vou segurar,
No adeus a toda tormenta,
Irei teu nome balbuciar.


Com dores vou sucumbir,
Não vou mais em vão lutar,
De feridas então partir,
E o coração silenciar.


Quero hinos de louvor,
Para a Deus glorificar,
E nas faces o rubor,
Quando meu nome citar.


Uma flor na pálida mão,
Um beijo na fria testa,
Muitas flores pelo chão,
E na noite muita festa.


Sei que vai me esquecer,
Me causando amargura,
Pela vida se meter,
Com outra criatura.


Em sua vida cigana,
Fui homem rendido,
Na doçura que engana,
Do coração bandido.


"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".