quinta-feira, 3 de outubro de 2013

FERNANDES TOURINHO

E quantas não são as saudades
Das viagens com a cara nas janelas;
Dos velhos com seus chapéus
E as senhoras de falas simples.

E quantas não são as saudades
Dos asfaltos entre as montanhas;
Das estradas de terra batida
E das curvas dos rios e córregos.
E quantas não são as saudades,
Do cheiro fresco e dos pastos,
Que entre as cercas farpadas
Pastavam mansamente os gados.

E quantas não são as saudades,
Das paradas entre as cidadezinhas
Com suas ruas, praças e igrejas.

E quantas não são as saudades,
Dos dias quentes do Vale do Rio Doce.
Das longas viagens e baldeações
De Ipatinga à Fernandes Tourinho.

E quantas não são as saudades
Dos meus avós, que do banco da rua,
Me esperavam entre abraços, sorrisos,
Da fraterna benção angelical.

E quantas não são as saudades,
Que se perdem em versos simples,
Sem estruturas e rimas pensadas.
São saudades dos tempos de criança.


(Eber Fonseca)

ESSAS FOTOS

E eu com minhas manias
De viajar em fotos com sorrisos.
De ficar me iludindo
Com o perfumes dos cabelos
Que ficam por ai pelo ar.
Uns castanhos, as vezes louros,
Porém todos longos.

De penetrar em olhos
Que numa singeleza plena,
Transmitem toda a profundidade ímpar da alma.
E o que dizer então das bocas.
Dessas bem feitas,
Quentes, carnudas e vermelhas.
Que dizem coisas suaves,
Que torram a paciência
Ou que simplesmente,
Apenas beijem docemente.

Ah! E essa foto em sorrisos...
É apenas de alguém,
Que ainda não me apareceu
Nessa vida de esperas infinitas,
Mas que me deixa assim,
Um tanto ansioso, esperançoso,
Amando todas as fotos,
Amando em meus sonhos.


(Eber Fonseca)

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

SONETO VIII

Te amei desde o primeiro comentário.
E agora, sem você a me corresponder,
Sou como um peixe fora do aquário
Que sem oxigênio não pode viver.

É certo que ao te ver, me faltou o chão,
As juras de amor e as palavras certas.
Mar de promessas, ondas de decepção,
Naufrágio de amor em nuvens espessas.

Sou pura agonia a viver das lembranças;
Do seu meigo semblante doce e calmo;
Seus beijos suaves e as finas mãos frias.

Sou puro amor que arde em esperanças,
A espera da mão salvadora no abismo.
Por teu corpo, teu ser, minhas carências.

(Eber Fonseca) 11/09/2013


terça-feira, 3 de setembro de 2013

MINEIRO

Mineiro que é mineiro,
Vê a chuva passar da varanda,
Cinzenta, pesada,
Preguiçosa e calma.
Os telhados molhados,
Os guardas chuvas encharcados,
Goles de cafés em xícaras esfumaçadas,
Se misturando ao vapor das nuvens.

Mineiro que é mineiro,
Gasta o cotovelo debruçado na janela,
Apenas observando a vida passar,

Como faz o remanso dos rios,
Mansamente na direção do mar.



"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

ESPETÁCULO

Hoje tem espetáculo?
- Não, a luz do circo acabou.
Hoje tem cinema?
- Não, vi este filme semana passada.
Hoje tem teatro?
- Não, foi as nove a ultima sessão.
Então vamos à Praça do Papa?

Lá tem a brisa da noite,
Os encantos da lua,
Casas e castelos pelos morros
E pessoas alegres na rua.
Sons abafados dos violões,
Casais apaixonados de mãos dadas,
E nós dois um ao lado do outro,
falando um pouco de nós,
Das coisas boas e ruins da vida,
Dos nossos sonhos e possibilidades.
A alegria, é como a do palhaço,
Nessa vida de efeitos hollywoodianos.
E quanto a nós?
Somos dois protagonistas encantados.



"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

CORAÇÃO BANDIDO


Seu coração bandido,
Foi minha doce ilusão,
Que me deixou rendido,
Nessas noites de verão.


No frio da madrugada,
Sinto o amargo na boca,
A espera da alvorada,
Dessa paixão tão louca.


Fito meus olhos no tempo,
Em silencio a navegar,
Como meu passatempo,
Dos nossos momentos lembrar.


Seu sorriso sereno,
Sua pele branquejada,
É o teu maior veneno,
É a dor da morte a espada.


A saudade é um vício,
É a lagrima chateada,
Do animal em pleno cio,
Dessa lida enjaulada.


Teu meigo olhar castanho,
Seu perfume de alecrim,
Quero viver esse sonho
De ter você para mim.


Nesse amor um temporal,
Me devastou a solidão,
Foi o granizo vendaval
Que arrasou meu coração.


Tenho dores e febres mil,
Que o peito faz dilatar,
Morrerei antes desse abril
Sem teu peito pra me amar.

Na ânsia da morte lenta,
Em tua mão vou segurar,
No adeus a toda tormenta,
Irei teu nome balbuciar.


Com dores vou sucumbir,
Não vou mais em vão lutar,
De feridas então partir,
E o coração silenciar.


Quero hinos de louvor,
Para a Deus glorificar,
E nas faces o rubor,
Quando meu nome citar.


Uma flor na pálida mão,
Um beijo na fria testa,
Muitas flores pelo chão,
E na noite muita festa.


Sei que vai me esquecer,
Me causando amargura,
Pela vida se meter,
Com outra criatura.


Em sua vida cigana,
Fui homem rendido,
Na doçura que engana,
Do coração bandido.


"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

ÚLTIMO RASCUNHO


Escrevo versos,
Rascunho novas poesias,
Com a grafia de quem esta por morrer.

Ardente em febres camonianas,
Acamado por dores latejantes,
Em delirante doença de amor.

E num eterno ultimo suspiro,
Sôfrego, traduzo literalmente,
Subjetivando ao mundo
o que um pobre moribundo  em vida,
Não conseguiu dizer.


"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

SONETO VII


Docemente recordo meu antigo Barreiro,
E saudoso, me lembro das tardes chuvosas,
Enchendo de folhas o enorme terreiro,
E o chão salpicado de roxas amoras.

O ocaso entre as sombras do rola moça
Caiam como brisa após o sol das almas,
Anunciando a noite no revoar da garça,
Turvando as tardes nas branduras calmas.

Tempos das fotos em preto e branco,
Esfumaçadas com as partidas dos trens,
Sucumbidas entre as serras no nevoeiro.

Sou esse idoso sentado num velho madeiro,
Proseando velhas histórias e bobagens,
Perdido nas lembranças do velho Barreiro.


"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

SONETO VI

Estou tentando te esquecer, juro!
Por favor, só não se aproxime demais.
Logo agora que me sinto seguro,
Mesmo eu resistindo e não dando sinais.

Já nem sinto o perfume dos seus cabelos,
Não gaguejo mais nas palavras ao te ver,
Tampouco me pego a lembrar dos seus beijos,
E sem seus abraços, tento não enlouquecer.

Você, que simplesmente sabe o que sinto,
Despoja meu amor, elevando meu sofrer,
E eu, ébrio e humilhado, apenas consinto.

Espero que o tempo possa te amadurecer.
Desejo-te até, que de amor nunca sofra.
Pois sofrer assim como eu, é melhor morrer.


"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

segunda-feira, 18 de março de 2013

SONETO V


Estou tentando te esquecer, juro!
Por favor, só não se aproxime demais.
Logo agora que me sinto seguro,
Mesmo eu resistindo e não dando sinais.

Já nem sinto o perfume dos seus cabelos,
Não gaguejo mais nas palavras ao te ver,
Tampouco me pego a lembrar dos seus beijos,
E sem seus abraços, tento não enlouquecer.

Você, que simplesmente sabe o que sinto,
Despoja meu amor, elevando meu sofrer,
E eu, ébrio e humilhado, apenas consinto.

Espero que o tempo possa te amadurecer.
Desejo-te até, que de amor nunca sofra.
Pois sofrer assim como eu, é melhor morrer.

"Essa poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

terça-feira, 12 de março de 2013

SONETO IV




Não fosse o som da cigarra na gameleira,
Entoando a melodia da fúnebre crueza,
Seria dia de mormaço na capoeira,
E um silêncio impar, na cidade da tristeza.

E era meio dia, quando eu vagava vazio,
Entre os nomes e datas nas lápides,
Pensativo em mim, moribundo e frio,
A aspirar sob os mármores das calátides.

O homem merece a gélida sepultura,
Nas madeiras secas, ter seu cruzeiro,
E na terra vermelha, vermes e amargura.

Céu ou inferno, qual me valerá primeiro?
Livra-me Deus, da negra desventura,
E nessa paz do silêncio, eu seja herdeiro.


"Essa poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

SONETO III


Eu te amo óh! deusa assombrada e loira,
Mesmo que ainda nos separe o Bonfim.
Da fria lápide vês a ladeira,
Deste Belo Horizonte sem fim.

Vou te esperar pelas ruas nas noites,
Para encontrar com tua alva morbidez,
E seremos amantes ardentes,
Ébrios, consumidos em languidez.

Aos beijos pelos bancos das praças,
Brindaremos em festa, o pratear do luar,
E secarei tuas solitárias lágrimas.

Irei contigo à negra campa voltar.
Serei teu cúmplice nas noites funestas.
Eternas almas nesse assombrar.



"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".