sexta-feira, 30 de agosto de 2013

ÚLTIMO RASCUNHO


Escrevo versos,
Rascunho novas poesias,
Com a grafia de quem esta por morrer.

Ardente em febres camonianas,
Acamado por dores latejantes,
Em delirante doença de amor.

E num eterno ultimo suspiro,
Sôfrego, traduzo literalmente,
Subjetivando ao mundo
o que um pobre moribundo  em vida,
Não conseguiu dizer.


"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

SONETO VII


Docemente recordo meu antigo Barreiro,
E saudoso, me lembro das tardes chuvosas,
Enchendo de folhas o enorme terreiro,
E o chão salpicado de roxas amoras.

O ocaso entre as sombras do rola moça
Caiam como brisa após o sol das almas,
Anunciando a noite no revoar da garça,
Turvando as tardes nas branduras calmas.

Tempos das fotos em preto e branco,
Esfumaçadas com as partidas dos trens,
Sucumbidas entre as serras no nevoeiro.

Sou esse idoso sentado num velho madeiro,
Proseando velhas histórias e bobagens,
Perdido nas lembranças do velho Barreiro.


"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

SONETO VI

Estou tentando te esquecer, juro!
Por favor, só não se aproxime demais.
Logo agora que me sinto seguro,
Mesmo eu resistindo e não dando sinais.

Já nem sinto o perfume dos seus cabelos,
Não gaguejo mais nas palavras ao te ver,
Tampouco me pego a lembrar dos seus beijos,
E sem seus abraços, tento não enlouquecer.

Você, que simplesmente sabe o que sinto,
Despoja meu amor, elevando meu sofrer,
E eu, ébrio e humilhado, apenas consinto.

Espero que o tempo possa te amadurecer.
Desejo-te até, que de amor nunca sofra.
Pois sofrer assim como eu, é melhor morrer.


"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".