quarta-feira, 11 de setembro de 2013

SONETO VIII

Te amei desde o primeiro comentário.
E agora, sem você a me corresponder,
Sou como um peixe fora do aquário
Que sem oxigênio não pode viver.

É certo que ao te ver, me faltou o chão,
As juras de amor e as palavras certas.
Mar de promessas, ondas de decepção,
Naufrágio de amor em nuvens espessas.

Sou pura agonia a viver das lembranças;
Do seu meigo semblante doce e calmo;
Seus beijos suaves e as finas mãos frias.

Sou puro amor que arde em esperanças,
A espera da mão salvadora no abismo.
Por teu corpo, teu ser, minhas carências.

(Eber Fonseca) 11/09/2013


terça-feira, 3 de setembro de 2013

MINEIRO

Mineiro que é mineiro,
Vê a chuva passar da varanda,
Cinzenta, pesada,
Preguiçosa e calma.
Os telhados molhados,
Os guardas chuvas encharcados,
Goles de cafés em xícaras esfumaçadas,
Se misturando ao vapor das nuvens.

Mineiro que é mineiro,
Gasta o cotovelo debruçado na janela,
Apenas observando a vida passar,

Como faz o remanso dos rios,
Mansamente na direção do mar.



"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

ESPETÁCULO

Hoje tem espetáculo?
- Não, a luz do circo acabou.
Hoje tem cinema?
- Não, vi este filme semana passada.
Hoje tem teatro?
- Não, foi as nove a ultima sessão.
Então vamos à Praça do Papa?

Lá tem a brisa da noite,
Os encantos da lua,
Casas e castelos pelos morros
E pessoas alegres na rua.
Sons abafados dos violões,
Casais apaixonados de mãos dadas,
E nós dois um ao lado do outro,
falando um pouco de nós,
Das coisas boas e ruins da vida,
Dos nossos sonhos e possibilidades.
A alegria, é como a do palhaço,
Nessa vida de efeitos hollywoodianos.
E quanto a nós?
Somos dois protagonistas encantados.



"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

CORAÇÃO BANDIDO


Seu coração bandido,
Foi minha doce ilusão,
Que me deixou rendido,
Nessas noites de verão.


No frio da madrugada,
Sinto o amargo na boca,
A espera da alvorada,
Dessa paixão tão louca.


Fito meus olhos no tempo,
Em silencio a navegar,
Como meu passatempo,
Dos nossos momentos lembrar.


Seu sorriso sereno,
Sua pele branquejada,
É o teu maior veneno,
É a dor da morte a espada.


A saudade é um vício,
É a lagrima chateada,
Do animal em pleno cio,
Dessa lida enjaulada.


Teu meigo olhar castanho,
Seu perfume de alecrim,
Quero viver esse sonho
De ter você para mim.


Nesse amor um temporal,
Me devastou a solidão,
Foi o granizo vendaval
Que arrasou meu coração.


Tenho dores e febres mil,
Que o peito faz dilatar,
Morrerei antes desse abril
Sem teu peito pra me amar.

Na ânsia da morte lenta,
Em tua mão vou segurar,
No adeus a toda tormenta,
Irei teu nome balbuciar.


Com dores vou sucumbir,
Não vou mais em vão lutar,
De feridas então partir,
E o coração silenciar.


Quero hinos de louvor,
Para a Deus glorificar,
E nas faces o rubor,
Quando meu nome citar.


Uma flor na pálida mão,
Um beijo na fria testa,
Muitas flores pelo chão,
E na noite muita festa.


Sei que vai me esquecer,
Me causando amargura,
Pela vida se meter,
Com outra criatura.


Em sua vida cigana,
Fui homem rendido,
Na doçura que engana,
Do coração bandido.


"Esta poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".