segunda-feira, 18 de março de 2013

SONETO V


Estou tentando te esquecer, juro!
Por favor, só não se aproxime demais.
Logo agora que me sinto seguro,
Mesmo eu resistindo e não dando sinais.

Já nem sinto o perfume dos seus cabelos,
Não gaguejo mais nas palavras ao te ver,
Tampouco me pego a lembrar dos seus beijos,
E sem seus abraços, tento não enlouquecer.

Você, que simplesmente sabe o que sinto,
Despoja meu amor, elevando meu sofrer,
E eu, ébrio e humilhado, apenas consinto.

Espero que o tempo possa te amadurecer.
Desejo-te até, que de amor nunca sofra.
Pois sofrer assim como eu, é melhor morrer.

"Essa poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".

terça-feira, 12 de março de 2013

SONETO IV




Não fosse o som da cigarra na gameleira,
Entoando a melodia da fúnebre crueza,
Seria dia de mormaço na capoeira,
E um silêncio impar, na cidade da tristeza.

E era meio dia, quando eu vagava vazio,
Entre os nomes e datas nas lápides,
Pensativo em mim, moribundo e frio,
A aspirar sob os mármores das calátides.

O homem merece a gélida sepultura,
Nas madeiras secas, ter seu cruzeiro,
E na terra vermelha, vermes e amargura.

Céu ou inferno, qual me valerá primeiro?
Livra-me Deus, da negra desventura,
E nessa paz do silêncio, eu seja herdeiro.


"Essa poesia participou do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte - 2012 promovido pela Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte".